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ARTIGO: Mundo digital e as interfaces com o real

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O momento atual é extremamente complexo e desafiador. Aflição, receio, ansiedade e muitas outras situações geradoras de estresse estão a nos rodear. 

No meio dessa muvuca temos ainda que lidar com a entrada maciça do digital em nossas vidas.

A “digitalização da vida” não é algo recente, mas foi com a crise gerada pela Covid-19 que se intensificou de forma exponencial. A vida digital veio para ficar.

Segundo Arthur Igreja no Summit em setembro de 2019 é corriqueiro escutar que as tecnologias estão ameaçando a ocupação das pessoas. E isto está longe de ser fato. Segundo ele, toda vez que ocorre um amplo movimento de tecnologia, nasce também uma cadeia de oportunidades que, normalmente, nenhuma pessoa está atentando. As soluções que facilitam a vida das pessoas durante a pandemia, com certeza vão ficar no cotidiano das pessoas quando a crise da saúde passar.

Mesmo sabendo que as interações off-line (olho no olho, aperto de mãos e abraços) serem tão importantes para a vida gregária das pessoas, o modo on-line avança avassaladoramente. 

A área da saúde mostra o tamanho do impacto da digitalização no setor da Telemedicina que através das tecnologias de informação foi regulamentada para que médicos e pacientes possam usufruir do conhecimento para a promoção da saúde. Durante a pandemia de Covi-19 criou-se a plataforma Missão Covid onde pacientes que apresentam sintomas da doença são atendidos gratuitamente através de vídeo chamada.

Por sua vez, o atendimento psicológico on-line regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia que considera como psicoterapia e sendo uma modalidade que cresce fortemente no Brasil, a ponto de ter psicólogos que migraram totalmente para o digital.

Na vida cotidiana novas interações surgiram: Reuniões de família através do Zomm, missas e cultos pela Internet, LIVE de cantores, ensino remoto em que professores e alunos se encontram nas salas virtuais de aplicativos educacionais e trabalhadores de escritórios que migraram em massa para o home office.

Para Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, essa modernidade que nos socorre na pandemia, por sua vez pode ter um efeito colateral; as relações se tornarem ainda mais temporárias e passageiras, até a próxima mensagem.  O autor trabalha com a ideia fundante de modernidade líquida. Ela é o período histórico atual, em que as instituições, as opiniões e as relações constituídas entre as pessoas se modificam de jeito muito acelerado e inesperado. “Tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma”. Zygmunt Bauman.

Então a partir da constatação acima devemos fazer um esforço coletivo para humanizar os relacionamentos virtuais. Isso se faz necessário porque o digital está cada dia mais presente em nossas vidas e quando a pandemia acabar o uso de instrumentos tecnológicos serão sedimentados no cotidiano da população.

Pensando em nortear este maravilhoso mundo quase novo do digital, proponho a seguir algumas atitudes para nossa reflexão.

Devemos ter objetivos claros e definidos para o uso da tecnologia (trabalho, lazer, relacionamentos, etc.), porque se assim não procedermos, podemos estar fazendo tudo ao mesmo tempo e gerar uma baixa produtividade ou qualidade do descanso, ampliando as situações de estresse e treinando a desorganização cognitiva.  O resultado de não cuidar do foco e da atenção e sobrecarregá-los e nos sentirmos a todo tempo fatigados, com as energias acabadas, já que a nossa mente facilmente não para e permanece trabalhando incessantemente, raciocinando em tudo o que necessita ser feito, em todas as questões que precisam ser acatadas, se distraindo com facilidade e, ao mesmo tempo, não conseguindo lidar com nada de maneira genuinamente hábil.  

É necessário saber que entre as mensagens, textos, vídeos, podcasts, live, fotos, memes, etc. existem pessoas reais que sofrem de modo autêntico dependendo das situações geradas pelas interações nas mídias sociais.

A coletividade deve trabalhar para a construção de uma cultura digital da paz, combatendo o cyberbullying e as fakenews, duas coisas altamente produtores de sofrimentos emocionais.

A cada dia fica nítida a importância de entendermos que a vida é um valor imensurável e todas as nossas ações (reais ou virtuais) devem provocar a melhoria das condições humanas dos habitantes do planeta Terra.

 

Aguinaldo Adelino Carvalho

Palestrante, Professor, Psicoterapeuta e Teólogo

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