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Operação Raio X: STF suspende liminar e médico suspeito de chefiar esquema é preso novamente

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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu os efeitos da liminar que permitia que o médico Cleudson Garcia Montali, apontado como o chefe do suposto esquema que teria desviado dinheiro público da saúde em Penápolis e Birigui (SP), fosse colocado em liberdade.

O médico esteve na delegacia de Araçatuba (SP) no início da tarde deste domingo (2), onde aguarda para ser transferido para uma unidade prisional.

A Operação Raio X, deflagrada em 2020, denunciou 70 pessoas pela prática dos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, atribuindo a cada um dos denunciados o tipo penal caracterizado por sua atuação.

Conforme apurado, a defesa de Cleudson alegou problemas de saúde no pedido da liminar. No entanto, foi constatado que o laudo era falso. Com a decisão do STF, o médico foi preso novamente.

A prisão preventiva havia sido convertida em domiciliar por meio de uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes e, em 16 de abril, Cleudson deixou o Centro de Ressocialização, em Araçatuba, onde estava preso desde outubro de 2020.

Comando do esquema

Investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil apontaram que a organização criminosa era liderada pelo médico Cleudson Garcia Montali. O anestesista, que foi diretor em várias unidades de saúde, chegou a ser homenageado com o título de cidadão Emérito nos municípios de Birigui e Agudos (SP).

Por meio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, Cleudson Montali celebrou contratos de gestão mediante licitações fraudulentas com o poder público para administrar a saúde de diversos municípios e desviando parte do dinheiro repassado por força do contrato de gestão às referidas Organizações Sociais.

Investigação

A investigação, que durou dois anos e culminou com a prisão de mais de 50 pessoas, apontou que as organizações sociais de Cleudson cresceram rapidamente e fecharam contratos em 27 cidades de quatro estados: Pará, Paraíba, Paraná e São Paulo.

Conforme a investigação, a quadrilha, que tinha a participação de políticos, desviou R$ 500 milhões, que deveriam ter sido investidos em hospitais e no tratamento da Covid-19.

Em muitas das vezes, os políticos estavam envolvidos para ajudar na primeira fase do esquema, o fechamento de contratos com o poder público. Em Agudos, um vereador foi preso suspeito de envolvimento no esquema.

Glauco Luiz Costa (MDB), conhecido como “Batata”, teria recebido R$ 50 mil para votar pela cassação do então prefeito, Altair Francisco Silva (PRB), e influenciar os colegas na votação. A tentativa de afastar o prefeito é por ele ter rompido com o contrato de uma das Organizações Sociais de Cleudson.

Altair foi afastado duas vezes do cargo, mas conseguiu voltar após decisão da Justiça. Outros quatro vereadores da cidade também são investigados.

Segundo as investigações, no complô contra o prefeito, Cleudson conseguiu também que a Câmara de Agudos o homenageasse com o título de “Cidadão Agudense”, em 2019. Na ocasião, Batata discursou e disse que “era uma honra” receber o médico na Casa.

Após a reportagem do Fantástico, a Câmara de Agudos votou um pedido de instauração de processo de cassação contra o vereador preso, mas o pedido foi negado por 8 votos a 3.

Outros políticos presos em São Paulo foram o Secretário de Saúde de Penápolis (SP), Wilson Carlos Braz, e o vereador de Birigui José Roberto Merino Garcia, conhecido como Paquinha.

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